História

Surgimos em 2018, na cidade de São Paulo, como uma reação de sobrevivência de pessoas LGBTQIA+ diante da ascensão do fascismo no Brasil, que culminou na assustadora eleição do atual presidente. Entendendo a força das nossas existências, partimos do desejo de manter pulsantes as nossas vidas enquanto pessoas diretamente atingidas pelos discursos racistas, misóginos e LGBTfóbicos que se escancararam e dominam cada vez mais o país.

A princípio funcionamos como uma casa de articulação política e cultural, no bairro de Perdizes (SP), onde chegamos a acolher 27 pessoas em situação de vulnerabilidade por falta de moradia. Após a devolução do nosso primeiro imóvel, em 2019, deixamos funcionar como abrigo e passamos a ter uma atividade mais diversificada focada em outros tipos de acolhimento por meio de espaços construídos junto a aparelhos públicos, através de parcerias com iniciativas privadas e da produção de eventos culturais.

Naquele mesmo ano, iniciamos nossa colaboração junto a um hospital do SUS, no bairro da Barra Funda, onde hoje existe um serviço ambulatorial voltado para pessoas transvestigêneres. Também iniciamos nossa frente jurídica, em parceria com advogades voluntáries, focada na retificação documental de nome e gênero. E ainda realizamos o primeiro CHAMA FESTIVAL.

Em 2020, diante da pandemia do COVID-19, desenvolvemos ações focadas na garantia de sobrevivência das pessoas trans residentes na cidade de São Paulo, e diretamente afetadas pela quarentena. Criamos um Fundo Emergencial permanente para doações, direcionado à compra de cestas básicas e ao apoio financeiro para o pagamento de aluguéis des acolhides. Em paralelo a isso demos continuidade às outras frentes, dentro do possível, iniciando também o nosso núcleo de psicologia, com o atendimento realizado por psicólogues parceires.

A Casa Chama desde então segue crescendo com o apoio de empresas, profissionais de diversas áreas e principalmente com as pessoas trans e cis aliades. Levamos a sério um mote que diz: “a transição é coletiva”, entendendo que a nossa presença transvestigênere no mundo produz uma transição geral. É o encontro com nossas corpas, nossas ideias e nossas produções que faz o mundo ao nosso entorno transicionar com a gente. Desejamos transicioná-lo ainda mais, atendendo cada vez mais pessoas para, através da nossa rede de afeto e suporte, garantir vidas trans dignas e cheias de potência transformadora.